Era uma vez o amor
Chutando pedras, desenhando corações
Escrevendo o mesmo nome até acabar a caneta
Era uma vez o amor fazendo planos
Insistindo
Implorando
O amor era da labuta
Dormia tarde, acordava cedo
E a primeira e última imagem que ele via
Todo dia
Era sua bandeira e seu tormento
O amor comia sonhos
Se sentia cada vez mais forte
Então corria mais rápido
O amor acreditava
Daí se atirava, mergulhava
Ia cada vez mais fundo
O amor se iludia
Mas o amor tentou agüentar firme
Até o dia em que foi morrendo, minguando
Diante da desatenção
Do desmazelo
Da falta de ânsia
Do sossego
O amor lutou contra moinhos de vento
Acabou louco, trancado em seu próprio abraço
Vestindo eternamente uma camisa de linho branco
O amor era virgem
Amou sozinho
Se preocupou demais
Perdoou demais
O amor se debateu até o fim e morreu feio
Distorcido
Seco de lágrimas
O amor não foi amado
|
|
||||
|
||||
![]() | ||||
|
||||