A marcha fúnebre do amor

Era uma vez o amor

Chutando pedras, desenhando corações

Escrevendo o mesmo nome até acabar a caneta

Era uma vez o amor fazendo planos

Insistindo

Implorando

O amor era da labuta

Dormia tarde, acordava cedo

E a primeira e última imagem que ele via

Todo dia

Era sua bandeira e seu tormento

O amor comia sonhos

Se sentia cada vez mais forte

Então corria mais rápido

O amor acreditava

Daí se atirava, mergulhava

Ia cada vez mais fundo

O amor se iludia

Mas o amor tentou agüentar firme

Até o dia em que foi morrendo, minguando

Diante da desatenção

Do desmazelo

Da falta de ânsia

Do sossego

O amor lutou contra moinhos de vento

Acabou louco, trancado em seu próprio abraço

Vestindo eternamente uma camisa de linho branco

O amor era virgem

Amou sozinho

Se preocupou demais

Perdoou demais

O amor se debateu até o fim e morreu feio

Distorcido

Seco de lágrimas

O amor não foi amado

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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, publicidade, evangélica
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